terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Vergonha de país!

Agora mesmo, à porta do supermercado aqui ao fundo das minhas escadas, um homem esquálido, de roupas escassas, encostado à ombreira da porta, exibia na mão alguns sacos de plástico abertos. Não pedia, não os impunha às pessoas, como aqueles voluntários que costumam estar nas entradas dos hipermercados, mal se dava por ele, ali, com todos os sacos amarrotados e vazios.
Com o meu filho pela mão, em ...busca de lugumes para a sopa do jantar, temi perguntar. Meio a medo, meio envergonhada, fui recolhendo mais alguns produtos do que aqueles que procurava e expliquei ao pequeno rapazinho curioso que talvez aquele senhor que estava à porta, precisasse de uma pequena ajuda nossa.
À saída, temendo não sei bem o quê, perguntei ao homem da porta se precisava de ajuda e, sem esperar resposta, estendi-lhe um saco.
Sorriu-me num sorriso só de ossos, desejou sorte e bom natal.
A caminho do elevador o meu filho disse-me, "Fizemos uma boa acção hoje, mãe"
Não filho, não fizemos. Uma boa acção só fará quem fizer com que ninguém precise nunca mais de pedir comida na porta de um supermercado. Se calhar, nós só adiamos a hipótese dessa boa acção acontecer mais rapidamente.
Merda para isto pá! Senhores governantes passados e presentes, já me estragaram mais um dia!
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sábado, 25 de junho de 2011

Os Mostrengos que querem as Belas!

Ultimamente tenho reflectido sobre aquilo que eu chamaria de "má consciência da auto estima masculina". Não será mal de monta, mas tem-me trazido irritada. Passo a explicar:
Imaginem vocês uma mulher feia. Visualizem a fealdade... Agora imaginem a mesma mulher a tentar conquistar um Adónis qualquer, aí da moda ou do cinema... Impossível imaginar, certo?
Pois claro que é impossível! Uma senhora do tipo, digamos, da Susan Boyle, sabe, claramente sabido, que é perda de tempo pensar que consegue chegar ao coração de um tipo como o David Hasselhof. Chega-lhe ao ouvido e é um "pau para um olho"; além disso, nem todas as feias têm dotes canoros excepcionais, pelo que a Boyle até é uma privilegiada.
Já com os homens as coisas são bem diferentes. É vê-los por aí, despudoradamente feios, a fazerem o pino para atraír a atenção das mais belas entre as belas.
Vejo amigas bem parecidas, perseguidas por quasimodos alegretes, quase todos os dias e isso intriga-me!
Porque é que um tipo feio não tem qualquer contenção perante uma mulher bonita e o contrário é praticamente regra?
O que faz um monstro achar que pode ter a bela?
Deve haver razões fisiológicas explicadas pela diferença de género, mas ao caso também não será alheio o imaginário colectivo, desde os desenhos animados até sei lá onde...
Afinal, o Shrek ficou com a princesa, o Monstro conquistou a Bela, o King Kong ( versão moderna ) partiu o coração da actriz e até o canastrão do Mickey Rourke se atracou à Kim Basinger, para já não falar daquele outro moço que conseguiu ficar com as pernas da mulher de vermelho, Kelly LeBrock, se bem me lembro...
Para quando uma atitude pedagógica que faça os modelos dos machos perceberem, que um tipo feio, tal como uma tipa feia, têm que se contentar em jogar com equipas do seu campeonato? Vamos lá pensar nisso que já não se aguentam, as investidas dos feiinhos!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Sem vergonha

Miguel Portas apresentou ao parlamento europeu, uma proposta de lei que visava a alteração dos critérios para as viagens de avião dos eurodeputados. Resumidamente, pretendia-se que as viagens até 4 horas passassem a ser feitas em classe turística; no caso português, uma viagem Lisboa-Bruxelas ficaria por um terço do preço  que custa em classe executiva.
A proposta foi chumbada por uma maioria esmagadora...
A votação dos eurotugas é muito interessante, mormente se nos recordarmos que na mesma semana o país foi dado como falido!
Bem sei que as despesas de duas dezenas de finórios, talvez não sejam significativas no combate ao déficit, mas a falta de vergonha é sintomática de males bem maiores...

quarta-feira, 30 de março de 2011

terça-feira, 29 de março de 2011

segunda-feira, 28 de março de 2011

Informação inútil...

A comida demora 7 seg a passar da boca ao estômago. O cabelo consegue aguentar até 3kg. O comprimento do pénis é 3x o comprimento do polegar. O fémur é tão duro como o cimento. O coração das mulheres bate mais depressa. As mulheres piscam 2x mais os olhos. Usamos 300 músculos para manter o equilíbrio. As mulheres leram o texto inteiro... O homem continua a olhar para o seu polegar.

Jason Castro - Somewhere Over The Rainbow - Studio Version

sábado, 26 de março de 2011

Inti Illimani - El Pueblo Unido




Dedicada ao Jorge Carvalheira que me "intimou" a repristinar este blogue!

Canalhas

Até na canalhice há graus:
Um Canalha que se preze e por quem podemos apaixonar-nos, é sempre um canalha bem parecido.
Um vulgar canalha não desperta amores, não deixa saudades, é feio e tem mau hálito. As mulheres não se apaixonam por vulgares canalhas!

sexta-feira, 25 de março de 2011

terça-feira, 22 de março de 2011

segunda-feira, 21 de março de 2011

À rasca?




Faz cá falta a Maria Antonieta, para os mandar a todos à casa de banho!

(ilustração tirada da net)

Paisagem




Passavam pelo ar aves repentinas,

O cheiro da terra era fundo e amargo,

E ao longe as cavalgadas do mar largo

Sacudiam na areia as suas crinas.



Era o céu azul, o campo verde, a terra escura,

Era a carne das árvores, elástica e dura.

Eram as gotas de sangue da resina

E as folhas em que a luz se descombina.



Eram os caminhos num ir lento,

Eram as mãos profundas do vento,

Era o livre e luminoso chamamento

Da asa dos espaços fugitiva.



Eram os pinheirais onde o céu poisa,

Era o peso e era a cor de cada coisa

A sua quietude, secretamente viva,

E a sua exalação afirmativa.



Era a verdade e a força do mar largo,

Cuja voz, quando se quebra, sobe,

Era o regresso sem fim e a claridade

Das praias onde a direito o vento corre.







Sophia de Mello Breyner Andresen

(Foto de Albino Madaíl)

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Eis-me

Tendo-me despido de todos os meus mantos

Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses

Para ficar sozinha ante o silêncio

Ante o silêncio e o esplendor da tua face



Mas tu és de todos os ausentes o ausente

Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca

O meu coração desce as escadas do tempo em que não moras

E o teu encontro

São planícies e planícies de silêncio



Escura é a noite

Escura e transparente

Mas o teu rosto está para além do tempo opaco

E eu não habito os jardins do teu silêncio

Porque tu és de todos os ausentes o ausente







Sophia de Mello Breyner Andresen, Livro Sexto (1962)

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Isto de ser mulher...


Uma amiga confessava-me esta semana a vontade de atirar com a toalha ao ringue...
A cada novo caso, a cada novo amor, entrega-se, dedica-se, cuida, protege, mima, oferece, preocupa-se, é solidária, em suma, ama!
Um dia destes, o útlimo "caso" dizia-lhe embevecido:
_Querida, sabes-me bem!
E fez-se luz nela. Aquela eterna falta de um não sei o quê, a sensação de que nunca nada é completo, a frustração velada de que dá mais do que aquilo que recebe, percebeu-a ela ali com toda a evidência, naquelas três palavrinhas.
E cansou-se de ser a que sabe bem, de ser a que massaja o ego, de ser a que dá.
Eu, pelo que me diz respeito, estou farta de lhe dizer, a ela e a todas as amigas com quem falo sobre o assunto:
Meninas, no amor aprendam a ser homens!

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

terça-feira, 12 de outubro de 2010

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Viva a República!


Dia Mundial Dos Professores

Saudação da FENPROF a todos os Professores

Vergílio Ferreira...

"Não se pode verdadeiramente admirar senão quem está longe. Porque só a distância nos garante que não cheire mal da boca"

5 de Outubro , Dia Mundial do Professor

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

terça-feira, 31 de agosto de 2010

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Seiva da Vida


Chegas
Entras nos meus olhos com ternura
Vestes nosso abraço de infinito.

Sei-te
Solto-te
Solto-te no vento
E traço nele a tua amargura.

Noite da minha aldeia
Cheiro de eucalipto
Canção do luar
Calor da terra.

Tenho-te
Silencio-te no mar
E navego nele a tua doçura

Amo-te
Projecto-te nas estrelas
E desenho nelas tua figura

Noite do mundo
Resina da serra
Seiva da vida
Gritos de dor
Gritos de amor

Sol sereno
Do dia do mundo
Cresce o pinheiro
Torna-o fecundo

Que eu grito de amor
Que eu grito de dor

-um sonho de vida!


Manuel Chamadoiro

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Procuro-te




Procuro a ternura súbita,
os olhos ou o sol por nascer
do tamanho do mundo,
o sangue que nenhuma espada viu,
o ar onde a respiração é doce,
um pássaro no bosque
com a forma de um grito de alegria.

Oh, a carícia da terra,
a juventude suspensa,
a fugidia voz da água entre o azul
do prado e de um corpo estendido.

Procuro-te: fruto ou nuvem ou música.
Chamo por ti, e o teu nome ilumina
as coisas mais simples:
o pão e a água,
a cama e a mesa,
os pequenos e dóceis animais,
onde também quero que chegue
o meu canto e a manhã de maio.

Um pássaro e um navio são a mesma coisa
quando te procuro de rosto cravado na luz.
Eu sei que há diferenças,
mas não quando se ama,
não quando apertamos contra o peito
uma flor ávida de orvalho.

Ter só dedos e dentes é muito triste:
dedos para amortalhar crianças,
dentes para roer a solidão,
enquanto o verão pinta de azul o céu
e o mar é devassado pelas estrelas.

Porém eu procuro-te.
Antes que a morte se aproxime, procuro-te.
Nas ruas, nos barcos, na cama,
com amor, com ódio, ao sol, à chuva,
de noite, de dia, triste, alegre — procuro-te.

Eugénio de Andrade, in "As Palavras Interditas"