sábado, 18 de julho de 2009

Estou velha

Sentada numa esplanada de noite balnear, hoje senti-me velha.
Ao meu lado um grupo de mancebos borbulhentos e barulhentos, feios, mal vestidos, sem educação nem vocabulário, berravam palavrões e agrediam-se à palmada e ao pontapé, tudo para impressionar umas míudas de igual calibre. E elas tinham aquele ar de quem nem precisa de ser impressionada.
Um pouco mais afastadas, duas garotas com um ar um bocadinho mais "clean" e um vocabulário mais recheado, argumentavam com um amigo que parecia ser conhecido do bando de bárbaros:
"Olha que nós não andamos com esta gente na rua, ouviste?"
Senti-me velha por duas razões, a primeira delas foi a vontade irreprimível de partir umas caras à bofetada; a segunda foi um aperto no coração por pensar que tenho um filho com cinco anos que vai cruzar-se com bandos destes.
Senti-me velha e um bocadinho reaccionária. Ou talvez não...

3 comentários:

Anónimo disse...

Realmente é deprimente e degradante ver as atitudes e principalmente o vocabulário utilizado hoje em dia pelos jovens parece que,por mais anos que andam a estudar,sofrem de um analfabetismo crónico,não entendo a necessidade de assassinarem a língua portuguesa.
Qualquer dia quando esses mesmos jovens forem encarar o mundo do trabalho....nem quero pensar também tenho uma filha de 5 anos e já não é fácil explicar que "bueda" não existe!....

Isabel Pedrosa Pires disse...

Vais ver que o teu filho não vai andar por aí. Há uns filhos mais selectivos que outros, vou observando o meu...

AnaLee disse...

Assim espero Isabel, assim espero.
Mas não deixo de me sentir deprimida, como diz o anónimo mais acima! É que também me pergunto se, enquanto educadora, terei alguma culpa da cena que ontem relatei.